
Estou num dia daqueles, de cão. Prestes a cometer uma loucura. Como por exemplo entrar numa sala de aula que apresente umas duas carteiras fora do lugar, três bolinhas de papel no chão e mais uns quinze palitinhos de pirulito para fora das malditas bocas e fazer disso uma ligação direta com a corrupção, o aquecimento global e o terrorismo.
Entretanto, quando invado a sala cheia da razão e esvazio os pulmões para fazer daquilo um mundo melhor... empaco. Mula mesmo, me nego.
Como cobrar o que ainda não faz sentido algum para o universo deles? Naquele universo o mundo ainda tem jeito, a morte é papo de velho, as maiores preocupações são os bilhetes com desenhos debochados, eles perdem o sono por uma viagem de fim de semana, criam vocabulários próprios, roupas próprias, inventam de ser azul num dia e rosa pink com listrinhas noutro, amam e desamam os amores e desamores como woodstock.
Que espécie é essa que a gente esquece que foi?
Retomando meu dia de cão e minha metamorfose para mula, volto-me para a sala carimbada de coordenação, espero o sinal arrebentar as correntes dos pés dos palitos de pirulitos ambulantes e tenho uns vinte esperando para me dizerem:
- Saudades professora, boa viagem nestas férias.
Como podem ter a cara tão lavada? Como podem me rasgar o peso das malhas diárias, como conseguem me dobrar os joelhos e agradecer por ser a professora.
Quando foi que esqueci o que era ser um deles?
Entretanto, quando invado a sala cheia da razão e esvazio os pulmões para fazer daquilo um mundo melhor... empaco. Mula mesmo, me nego.
Como cobrar o que ainda não faz sentido algum para o universo deles? Naquele universo o mundo ainda tem jeito, a morte é papo de velho, as maiores preocupações são os bilhetes com desenhos debochados, eles perdem o sono por uma viagem de fim de semana, criam vocabulários próprios, roupas próprias, inventam de ser azul num dia e rosa pink com listrinhas noutro, amam e desamam os amores e desamores como woodstock.
Que espécie é essa que a gente esquece que foi?
Retomando meu dia de cão e minha metamorfose para mula, volto-me para a sala carimbada de coordenação, espero o sinal arrebentar as correntes dos pés dos palitos de pirulitos ambulantes e tenho uns vinte esperando para me dizerem:
- Saudades professora, boa viagem nestas férias.
Como podem ter a cara tão lavada? Como podem me rasgar o peso das malhas diárias, como conseguem me dobrar os joelhos e agradecer por ser a professora.
Quando foi que esqueci o que era ser um deles?
Karline Beber - Dia do Professor 2007

1 comment:
te adoro teacher - Bruna
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