Monday, 10 December 2007

round and round, stop me!





I'm not the person that you used to know


So listen, I´ve got my head on the ground and you still don´t listen


I can burn the curtains, paint my face in red


I could lie on a table and you could serve me rare


I´m going round and round and round


I never said I´d take you to neverland


No long sunny afternoons no deep blue sea


This is adult life


Now it´s you and me


Tryng to find poetry in dirty sheets


We´re going round and round and round


(Paralamas)




I just feel it right now... going round and round… and how? How to find poetry in dirty sheets? Just love can do it, round and round. Please, take me to neverland.


Kali

Sunday, 25 November 2007

Danço Tudo






Há muitos anos pessoas me perguntam:

- O que faz você dançar até hoje?

E eu?...

Dou aquele sorriso de olhinho fechado.

Meu tipo? Todos.
Danço? Contemporâneo.


“A dança é qualquer coisa que nasceu com o próprio Homem, e é uma expressão, simultaneamente, de liberdade e de alegria. É um reflexo, como diriam os nosso avós, ‘do que nos vai na alma’". Lagoa Henriques
“Para Dante, no último canto da Divina Comédia, onde a dança aparece como uma das principais atividades dos bem-aventurados no “Paraíso”, é “o amor que move o céu e as estrelas”. A Dança não é apenas expressão e celebração da continuidade orgânica entre homem e natureza, é também realização da comunidade viva dos homens.”Roger Garaudy
Após Isadora Duncan (1878 – 1927), a dança rompeu com as convenções e os códigos que há séculos sufocavam aquela arte.
“Sou inimiga do Balé, que considero um gênero falso e absurdo, que está fora do domínio da arte... o objetivo do balé é separar o corpo do espírito, é justamente contrário de todas as teorias que baseei minha escola. A escola de balé ensina que a coluna vertebral possui a base de todos os movimentos, e deste eixo partem os movimentos dos braços e das pernas. O resultado dá a impressão de uma marionete articulada. Este método produz um movimento mecânico, artificial, indigno da alma.”
“Viver é movimentar-se, A dança é uma forma condensada e estilizada da vida. Todos os elementos da dança são encontrados na vida. Uma dança mesmo que perfeita, será sempre medíocre se o coreógrafo e o bailarino não tiverem nada a dizer. Um movimento sem motivação é inconcebível para o bailarino.” Doris Humphrey
“Essa ânsia, esse desejo permanente, de decifrar o tal enigma do Universo é que vai criar todas as coreografias, todas as palavras, pois a dança já há muito que deixou de ser apenas movimento de corpo. O artista desenha porque não pode deixar de desenhar, o escritor escreve porque não pode deixar de escrever e o bailarino dança porque não pode deixar de dançar! Sou um apaixonado pelo movimento porque, em última análise, a dança é uma exaltação do corpo e que tem muito que ver com toda a história, com toda a aventura, da pintura e da escultura. Enquanto esta é o aprisionamento de uma atitude, a dança cria em permanência essa atitude.” Lagoa Henriques

CINEMA, Fale com Ela - conclusões em Letras no ano de 2002

Almodóvar é surpreendente. Isso o torna misterioso. Quando você acha que absorveu tudo que podia de suas histórias estórias, algo surge. Muitas vezes meses após assistir o filme. Essas múltiplas formas de interpretação é que me instigam e o que me faz gostar mais de suas obras. A genialidade de grandes artistas como Almodóvar roubam minha admiração, as “entre linhas” são sempre motivo de gozo para mim.

O filme “Fale com Ela” é lento e inocente, sem grandes explosões de humor ou momentos de tenções. Tudo vem aos poucos, parecendo desafiar nossa paciência.
O personagem de Benigno é o olhar. Um olhar que dá pena, sensibiliza e desperta carinho.

Fiquei anestesiada com as imagens sutis e belas sobre a intimidade da mulher. A mulher, como figura feminina realmente. Nesta obra a mulher está aplaudida pelos comentários de Benigno, que é inundado de amor. Amor incondicional.

Confesso que ainda iludida pelo filme, minutos após o término, pensava sobre a escolha de Benigno. Para minha surpresa o Professor Peel nos mostrou um outro caminho. Uma provável paixão de dois homens divididos ou unidos, por uma história em comum.
Revelador... porém um tanto óbvio. As variáveis da leitura me proporcionam prazer. Prazer em descobrir que um filme tão puro e recheado de cenas fechadas, combinado com uma trilha sonora de bom gosto, tem tanto a dizer.
Ainda lembro bem quando Benigno, certo de seu personagem, disse:
“Conheço bens as mulheres”.
Genial.

Tuesday, 6 November 2007

O direito ao Foda-se, por Millôr Fernandes ou Pedro Ivo Resende?


O autor do "O Direito Ao Foda-Se" não é o Millôr Fernandes (porque já recebi esse texto creditado a ele)... e sim um figura do Rio chamado Pedro Ivo Resende, que tinha uma coluna chamada "Loser" - publicada no já era E-Fanzine - e esse texto fazia parte dos contos e crônicas dele, que são muito divertidos. “O Direito ao Foda-se” é ótimo, vale a pena ler again.


"Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua.
"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não''! E tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade ''Não, absolutamente não!'' O substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porranenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba...Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do ''foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.". Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".
O direito ao ''foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e FODA-SE."

Friday, 2 November 2007

Waiting for Godot

I heard about this amazing writer for the first time not long ago, in a DRAMA course I took with Eliane Lisboa. I fell in love right away.
"Waiting for Godot" is so far my favorite play from what I´ve read from him. "Didi & Gogo" wait for someone the whole play... someone who never comes. It´s all about waiting. It makes us think of people and things we wait for, what are we waiting for?! The dialogue between "Didi & Gogo" is the great thing about the play, it shows us how good Becktt is with words and with the truth behind everything. Take a look:
www.themodernword.com/beckett/beckett_biography.html

A primeira vez que ouvi falar deste grande escritor não foi há muito tempo, num curso de dramaturgia com Eliane Lisboa. Caí no amor (literalmente do inglês, delícia de expressão!).
"Esperando por Godot" é por agora minha obra favorita das que li dele. "Didi & Gogo" esperam por alguém por toda a peça, alguém que nunca vem. É tudo sobre essa espera. Nos faz pensar em pessoas e coisas que esperamos. O que estamos esperando?! O diálogo entre "Didi & Gogo" é o melhor da peça, nos mostra o quanto Beckett desfaz palavras sabiamente e com a verdade por trás de tudo. O site acima é o que eu recomendo sobre ele. Abaixo, um pedaço dele:

Act 01 (...)
VLADIMIR:
When I think of it . . . all these years . . . but for me . . . where would you be . . . (Decisively.) You'd be nothing more than a little heap of bones at the present minute, no doubt about it.
ESTRAGON:
And what of it?
VLADIMIR:
(gloomily). It's too much for one man. (Pause. Cheerfully.) On the other hand what's the good of losing heart now, that's what I say. We should have thought of it a million years ago, in the nineties.
ESTRAGON:
Ah stop blathering and help me off with this bloody thing.
VLADIMIR:
Hand in hand from the top of the Eiffel Tower, among the first. We were respectable in those days. Now it's too late. They wouldn't even let us up. (Estragon tears at his boot.) What are you doing?
ESTRAGON:
Taking off my boot. Did that never happen to you?
VLADIMIR:
Boots must be taken off every day, I'm tired telling you that. Why don't you listen to me?
ESTRAGON:
(feebly). Help me!
VLADIMIR:
It hurts?
ESTRAGON:
(angrily). Hurts! He wants to know if it hurts!
VLADIMIR:
(angrily). No one ever suffers but you. I don't count. I'd like to hear what you'd say if you had what I have.
ESTRAGON:
It hurts?
VLADIMIR:
(angrily). Hurts! He wants to know if it hurts!
ESTRAGON:
(pointing). You might button it all the same.
VLADIMIR:
(stooping). True. (He buttons his fly.) Never neglect the little things of life.
ESTRAGON:
What do you expect, you always wait till the last moment.
VLADIMIR:
(musingly). The last moment . . . (He meditates.) Hope deferred maketh the something sick, who said that?
ESTRAGON:
Why don't you help me?
VLADIMIR:
Sometimes I feel it coming all the same. Then I go all queer. (He takes off his hat, peers inside it, feels about inside it, shakes it, puts it on again.) How shall I say? Relieved and at the same time . . . (he searches for the word) . . . appalled. (With emphasis.) AP-PALLED. (He takes off his hat again, peers inside it.) Funny. (He knocks on the crown as though to dislodge a foreign body, peers into it again, puts it on again.) Nothing to be done. (Estragon with a supreme effort succeeds in pulling off his boot. He peers inside it, feels about inside it, turns it upside down, shakes it, looks on the ground to see if anything has fallen out, finds nothing, feels inside it again, staring sightlessly before him.) Well?
(Samuel Beckett)

Thursday, 1 November 2007

Linguagem e Lógica


"Todo signo sozinho parece morto.
O que dá vida? No uso ele vive.
Tem então a viva respiração em si?
Ou o uso é sua respiração?
Wittgenstein - é um austríaco maluco e genial que Peel nos apresentou numa de suas pregações. Que aulas! Fala mais Peel...
Áh, e essa menina linda na pic, é Daia, é paz estar perto dela, é respiração.

Sunday, 28 October 2007

Minha vida como um musical dos anos 30, Vamos fazer um filme

Salve Renato Russo, nesses tempos e nos outros.



Achei um 3x4 teu e não quis acreditar


Que tinha sido há tanto tempo atrás


Um exemplo de bondade e respeito


Do que o verdadeiro amor é capaz.


A minha escola não tem personagem


A minha escola tem gente de verdade


Alguém falou do fim-do-mundo,


O fim-do-mundo já passou


Vamos começar de novo:


Um por todos, todos por um.


- O sistema é maus, mas minha turma é legal


Viver é foda, morrer é difícil


Te ver é uma necessidade


Vamos fazer um filme.


E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo."?


Sem essa de que: "- Estou sozinho.


"Somos muito mais que isso


Somos pingüim, somos golfinho


Homem, sereia e beija-flor


Leão, leoa e leão-marinho


Eu preciso e quero ter carinho,


liberdade e respeito


Chega de opressão:


Quero viver a minha vida em paz.


Quero um milhão de amigos


Quero irmãos e irmãs


Deve de ser cisma minha


Mas a única maneira ainda


De imaginar a minha vida


É vê-la como um musical dos anos trinta


E no meio de uma depressão


Te ver e ter beleza e fantasia.


E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo."?


Vamos fazer um filme.




As postagens de hoje!


Hoje acordei na praia, comprei pão de queijo, lembrei de Radiografia Carioca e senti muita vontade de dançar. Tanta.
Marquei com Lieza o encontro das seis, aquele cheio de esperança. Antes disso aluguei Bonecas Russas por indicação certeira e liguei para Betinho.
- Ohhh Beto! Teu presente tá no meu carro. Quero dividir!
Com os balés de Tio Betinho acabei levando Pina Bausch pra mim. Eu mereço.
Nem sei quando vou encontrar o momento ideal para ler Pina Baush. Seria um desastre se eu foliasse uma se quer página sem poder ficar por ali as próximas 5 horas. Vou ser paciente.
Tenho uma avaliação para fazer ainda, pensei nela o dia todo.
Volto para Radiografia Carioca de Cia KHOROS, um espetáculo de raiz. Numa viagem tão atemporal quanto bem humorada já previa o release. Vontade de dançar.
Eu e Lieza, Eliane, Valmir, Douglas e mais mais esperança. Dia 1º de novembro todos nós sairemos da rotina artística Brusquemmm se lembra?? que tem arte por aqui? Hoje senti é vontade de arte. Amanhã vou espalhar a novidade, vou dançar minha vontade.
Logo depois Lieza e Audrey Tautou em minha casa. Que dupla! Misto-quente e vinho branco, que dupla!
Lá vem a avaliação para me chamar para a realidade. Ligo essa maquininha, resolvo fuçar a teia e adorei essa idéia de blog.
As postagens de hoje são esconderijos das minhas pastas perdidas, já cansei. Entretanto, quando aparecer novamente à margarida, eu colho.

The spell checker went wild!

TRANSITION FROM ENGLISH TO EURO-ENGLISH
European English:The European Commission has just announced an agreement whereby English will be the official language of the European Union rather than German, which was the other possibility.As part of the negotiations, the British Government conceded that English spelling had some room for improvement and has accepted a 5- year phase-in plan that would become known as "Euro-English".
In the first year, "s" will replace the soft "c". Sertainly, this will make the sivil servants jump with joy. The hard "c" will be dropped in favour of "k". This should klear up konfusion, and keyboards kan have one less letter.
There will be growing publik enthusiasm in t he sekond year when the troublesome "ph" will be replaced with "f". This will make words like fotograf 20% shorter.In the 3rd year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted to reach the stage where! more komplikated changes are possible.
Governments will enkourage the removal of double letters which have always ben a deterent to akurate speling.
Also, al wil agre that the horibl mes of the silent "e" in the languag is disgrasful and it should go away.By the 4th yer people wil be reseptiv to steps such asreplasing "th" with "z" and "w" with "v".
During ze fifz yer, ze unesesary "o" kan be dropd from vords kontaining "ou" and after ziz fifz yer, ve vil hav a reil sensi bl riten styl.Zer vil be no mor trubl or difikultis and evrivun vil find it ezi tu understand ech oza.
Ze drem of a united urop vil finali kum tru.Und efter ze fifz yer, ve vil al be speking German like zey vunted in ze forst plas.
If zis mad you smil, pleas pas on to oza pepl!!
My lovely friend from Russia sent this quite funny text to me today.
"Don´t take too long in Moscow Joel, we need people like you in Brusque. Take care darl!"

Rótulos

- Teu sobrenome tem cara de ser europeu, mas não é italiano, é?
Meu sobrenome para começo de história não tem cara de nada, tem é uma origem que anda tão longe e há muito tempo passou do hemisfério norte para o sul.
Mania que as pessoas têm de se apegarem aos sobrenomes. No grego a palavra mania é coisa de gente doida, então para não perder a mania falarei sobre sobrenomes, nomes sobre outros, e outros sobre nomes.
Meu nome já foi peça chave em várias conversas. Vem aquele e pergunta:
- Tu, filha dele? Conheço teu pai, tuas tias e até teu avô. Conheço toda tua família.
Logo imagina que me conhece também.
Coisa da genética, filho de peixe peixinho é, e quando não é, é porque passou por uma metamorfose e virou mamífero, ou seja, ovelha desgarrada, ou até mesmo acaba virando planta, fruta, aquela que cai longe do pé.
Embora referências familiares tenham seus méritos, suas vantagens, temos dificuldade de enxergar as influências e notar o que é original de cada um.
Alemão é tudo grosso! Os suecos todos lindos e a cozinha inglesa não serve nem para a família real. Rótulos, rótulos para tudo. Acho que criamos rótulos para fazermos de conta que sabemos mais sobre o mundo, conhecemos tanta gente e tantos lugares que podemos generalizar, rotular, pra então dizer na mesa de bar:
- Perfume só Francês, vinho pode ser Chileno, mas o Francês continua ainda o melhor.
Em uma dessas noites qualquer, que de tão qualquer são as melhores, eu e minha amiga do tempo das barbies sem acessórios mirabolantes, escolhemos um Filme Americano que se passava no México. Compramos um Vinho Uruguaio e pedimos Comida Chinesa. Com todo esse cenário globalizado percebi que a origem em forma de sobrenome que todos carregamos, já não fazia mais tanto sentido. Coisas e pessoas têm origem, mas será que a origem perdura como na genética?
Acho que não.
Lembrei que o aparelho de DVD onde assistimos o Filme Americano que se passava no México, e que acabei descobrindo que também possuía no elenco até brasileiros (orgulho!), era um Sansung. Aquela marca japonesa, que no entanto foi comprado no Paraguai com direito a selo de original e tudo mais.
Eu também tenho selo de original, diziam meus avós, cada um puxando pro o seu lado, italiano e alemão, só concordavam que ao menos eram europeus. Contudo, nunca entendi porque não voltaram, só nasceram lá, mas a impressão que dava era que nunca tivessem partido.
Eu me filiei ao Círculo Trentino, ouvi dizer que podemos ganhar dupla cidadania. Já pensou, serei de origem Italiana além de original do Brasil. Isso chega a me confundir um pouco. Original parece ser uma palavra positiva, de garbo, então porque não tentar ser original de dois lugares.
Original, segundo a maioria dos dicionários, é relativo a origem, primitivo, natural, que é feito sem modelos.
Ora, se é feito sem modelos, como eu hei de ser original? Tenho agora mais de uma origem, como o aparelho de DVD, que veio de um lugar com selo de outro.
Concluo que coisas e pessoas podem ser originais por terem várias origens, ou por não terem. Isso prova que origem e original são palavras sinônimas e antônimas.
Pra ficar mais claro é só pensar na moda que vem de Nova York ou de Milão, entretanto são fabricadas na China. E para qualquer brasileiro entender bem essa questão, basta refletir sobre o futebol que nasceu na Europa, mas faz jus ao nome na América Latina, sem contar com a Argentina, é claro! - caso contrário eu não soaria uma “Brasileira Original.”
(Karline S. Beber - 2000)

Fazes-me falta




Contigo eu podia tudo o que eu tinha para ser, antes e depois e à margem desse trabalho de ser homem.
Sentia uma vontade violenta de me desmoronar em ti, Não, não era fazer amor. Fazer amor não existe, porra, o amor não se faz. O amor desaba sobre nós já feito, não o controlamos – por isso o sistema se cansa tanto a substituí-lo pelo sexo, coisa gráfica, aparentemente moldável. Também não era foder, fornicar, copular – essas palavras violentas com que tentamos rebentar o amor.Como se fosse possível.
Ela, a portuguesa por quem sou apaixonada... Inês Pedrosa em Fazes-me falta.

Não pela pele, mas pela pupila


“Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.Tem que ter brilho questionador e inquietante.
A mim não interessa os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.Deles não quero resposta quero o meu avesso.Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Quero santos, para que duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero ombro e colo, quero também a maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim, metade bobeira, metade seriedade...Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos, quero-os metade infância e metade velhos. Crianças para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças ou velhos, nunca me esquecerei que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.”
Oscar Wilde