Devem morar umas 16 famílias num edifício ao lado do edifício de minha mãe. Entre eles há um espaço grande com grama, playground e um limoeiro.
Um limoeirozão cheinho de limões. Foi o que eu vi. Um limoeirozão cheinho de limões maduros, alguns até caídos no chão. Cheinho!
Um limoeiro intocado. Como se tivesse crescido no meio de uma grande floresta bem longe. Quer dizer, os passarinhos sim, eles estavam ali de tempo em tempo bicando os restinhos de limões no chão. Embora não dessem conta de tantos limões.
Mas e aquela gente toda? As 16 famílias? Será que não gostam de limão, nem com peixe frito?
Um limoeirozão cheinho de limões ao lado do edifício de minha mãe. Ali, quase me pedindo para roubar alguns de tão cheinho, tão pesado, tão amarelo.
Será que essa gente não come limão nem com abacate e açúcar?
Ops! Um morador chega, passa pelo portão com sacolas e uma delas cheinha de limões, passa pelo limoeiro cheinho de limões e não vê, nem me vê. Vê nada, só a porta para entrar no edifício ao lado do edifício de minha mãe.
Se eu roubei alguns limões do limoeirozão cheinho de limões?
Não. Fui comprar também.
Thursday, 6 August 2009
Sunday, 2 August 2009
O Berço
Têm peixinhos e uma tartaruga pequenina. Do outro lado do berço estão um cavalo marinho e algas, estrela do mar também. Faz lá fora uns 14 graus hoje e chove muito. Está tão úmido que as paredes deste apartamento trocam de cor e tudo que é papel fica molenga. Neste caso o papel higiênico é o único que tem vantagens. Fico fofinho.
Coisas do cotidiano.
Lá ele adormeceu. No berço o sono da tarde. Desde o quinto mês de vida não quer mais saber de deixar o sono sem meu colo e seio. Mostra o quanto é exigente. Embora no sono mais pesado ele se aninha entre os muitos cobertores e travesseiros e fica protegido com mosquiteiro, luz média e eu sempre alerta.
Ele dorme e eu zelo por seu sono, apoiada na grade do berço cantarolando you are my sunshine e canções do dvd dos Backyardgans (rodado umas cem vezes). Perfeita cena.
Encosto a porta para o plim plim do microondas não acorda-lo. Água quente e café, dobro algumas roupas e tiro do caminho medalhas do papai, livretos despedaçados, bolinhas, cds e dvds espalhados pelo chão, fraldas trocadas para o lixo e por último: pacotes de macarrão, arroz, sopinhas e açúcar para volta no armário. Escolhos umas peças para lavar quando então ele desperta num choro desbravado, como se gritasse meu nome num deserto de almofadinhas azuis dentro do berço. Tão aconchegante e ao mesmo tempo entediante.
Quando acorda quer por toda lei o colo, o peito. Marca território e então sim está pronto para botar tudo fora do lugar. Novamente. Perfeita cena.
Coisas do cotidiano.
Coisas do cotidiano.
Lá ele adormeceu. No berço o sono da tarde. Desde o quinto mês de vida não quer mais saber de deixar o sono sem meu colo e seio. Mostra o quanto é exigente. Embora no sono mais pesado ele se aninha entre os muitos cobertores e travesseiros e fica protegido com mosquiteiro, luz média e eu sempre alerta.
Ele dorme e eu zelo por seu sono, apoiada na grade do berço cantarolando you are my sunshine e canções do dvd dos Backyardgans (rodado umas cem vezes). Perfeita cena.
Encosto a porta para o plim plim do microondas não acorda-lo. Água quente e café, dobro algumas roupas e tiro do caminho medalhas do papai, livretos despedaçados, bolinhas, cds e dvds espalhados pelo chão, fraldas trocadas para o lixo e por último: pacotes de macarrão, arroz, sopinhas e açúcar para volta no armário. Escolhos umas peças para lavar quando então ele desperta num choro desbravado, como se gritasse meu nome num deserto de almofadinhas azuis dentro do berço. Tão aconchegante e ao mesmo tempo entediante.
Quando acorda quer por toda lei o colo, o peito. Marca território e então sim está pronto para botar tudo fora do lugar. Novamente. Perfeita cena.
Coisas do cotidiano.
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