Almodóvar é surpreendente. Isso o torna misterioso. Quando você acha que absorveu tudo que podia de suas histórias estórias, algo surge. Muitas vezes meses após assistir o filme. Essas múltiplas formas de interpretação é que me instigam e o que me faz gostar mais de suas obras. A genialidade de grandes artistas como Almodóvar roubam minha admiração, as “entre linhas” são sempre motivo de gozo para mim.
O filme “Fale com Ela” é lento e inocente, sem grandes explosões de humor ou momentos de tenções. Tudo vem aos poucos, parecendo desafiar nossa paciência.
O personagem de Benigno é o olhar. Um olhar que dá pena, sensibiliza e desperta carinho.
Fiquei anestesiada com as imagens sutis e belas sobre a intimidade da mulher. A mulher, como figura feminina realmente. Nesta obra a mulher está aplaudida pelos comentários de Benigno, que é inundado de amor. Amor incondicional.
Confesso que ainda iludida pelo filme, minutos após o término, pensava sobre a escolha de Benigno. Para minha surpresa o Professor Peel nos mostrou um outro caminho. Uma provável paixão de dois homens divididos ou unidos, por uma história em comum.
Revelador... porém um tanto óbvio. As variáveis da leitura me proporcionam prazer. Prazer em descobrir que um filme tão puro e recheado de cenas fechadas, combinado com uma trilha sonora de bom gosto, tem tanto a dizer.
Ainda lembro bem quando Benigno, certo de seu personagem, disse:
“Conheço bens as mulheres”.
Genial.
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